
Sábado sem ti tem gosto de segunda
Parece fim de festa, melancolia profunda
Na casa silenciosa, escura, triste e vazia
Impera por todo os cómodos a agonia.
Toda a música soa como um dolorido lamento
A tua imagem perfeita não sai do meu pensamento
Os livros, revistas e jornais repousam esquecidos
Destinados a serem descartados sem serem lidos.
Cortinados fechados sem esperança de verem a luz
Roupas largadas sem o fascínio de corpos nus
O vento nas friestas assobia um doloroso blues
Nem mar nem céu, se aqui estivesses, seriam azuis.
A chave da porta sente-se inútil sem ser usada
Só se movimentaria ante a tua improvável chegada
A vida aqui parece no limbo, apática e aprisionada
A esperança viaja escondida, por alguma longínqua estrada.
A cama intocada é um imenso deserto sem fim
Como se só houvessem espinhos no estéril jardim
O domingo virá com a dor de um final de férias
O inevitável vazio das relações verdadeiras e etéreas.
Ganso Selvagem (Rui Moreira)
Nenhum comentário:
Postar um comentário